A pele não é essa coisa lisinha e bonita e sedosa que a maioria dos artistas de quadrinhos desenha. Ela tem poros e espinhas e barba por fazer e manchas e marcas que, por mais que os contos infantis nos digam para não julgar as pessoas pela aparência, definem caráter. Talvez fosse isso que Glenn Fabry queria dizer com suas capas marcantes para Preacher, um de seus primeiros trabalhos a chamar atenção nos Estados Unidos. Jesse, Tulipa e Cassidy, quase em carne e osso, fitando o leitor, dão um nível de personalidade e realidade aos personagens que poucos quadrinhos conseguem.

Mas Fabry não começou em Preacher. Inglês, seus primeiros trabalhos foram com dois dos principais personagens publicados na 2000 AD, “Sláine” e “Juiz Dredd”, na década de 1980. Sua arte pintada, detalhista e realista, chamou atenção e já em 1991 ele começou seus trabalhos na Vertigo, fazendo as capas das HQs de “Hellblazer” escritas por Garth Ennis, que fora seu roteirista em Juiz Dredd. Por essas artes, Fabry levou o Eisner de melhor capista em 1995.
A parceria com Ennis continuou por todas as edições de Preacher – tão poderosas que renderam um livro dedicado somente a elas, “Dead or Alive” – e, após a série, passou a não só fazer capas, mas também desenhar HQs do escritor irlandês. Entre estas estão a minissérie “Thor – Vikings”, da Marvel, e especiais com o personagem Kev, ligado ao supergrupo “Authority”, pela Wildstorm. Além de Ennis, outros autores já fizeram questão de trabalhar com Fabry: Warren Ellis, em “Frequência Global”, Kevin Smith, em “Daredevil”/”Bullseye” – Target e Neil Gaiman, que escalou Fabry no seu dream team para o álbum “Sandman: Noites sem Fim”, reunião de grandes nomes como Dave McKean, P. Craig Russell, Milo Manara, Miguelanxo Prado, Barron Storey, Bill Sienkiewicz e Frank Quitely.

A parceria com Gaiman deu tão certo que Fabry foi desenhista de outra história do autor, a elogiada adaptação do romance “Lugar Nenhum”, com o roteirista Mike Carey. Em nove capítulos, foi o trabalho mais extenso que já fez – o que é dizer muito para um artista meticuloso, que leva bem mais tempo com uma página que os desenhistas de quadrinhos tradicionais.

Seu último trabalho foi a minissérie “Greatest Hits”, da Vertigo, um pseudo-documentário sobre um grupo de super-heróis que lembra muito a trajetória dos Beatles, criado pelo roteirista David Tischman. Fabry ainda publicou dois livros para ensinar discípulos a desenhar como ele – “Muscles in Motion” e “Dynamic Anatomy for the Fantasy Artist”. Tem dois filhos e mora perto da praia de Brighton, na Inglaterra. Para ver seu portfólio on-line, acesse glennfabry.co.uk.

Trabalhos de Destaque de Glenn Fabry:

Daredevil/Bullseye – Target, Frequência Global, Sandman: Noites sem Fim, Thor: Vikings.